sábado, 1 de novembro de 2008

Oba !Tio Vitor presidente da Funarte!

Sérgio Mamberti é o escolhido para assumir a presidência da Funarte
O ministro Juca Ferreira anunciou o nome de Sérgio Mamberti como o novo presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) durante entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta-feira (31 de outubro), no auditório Guimarães Rosa do Ministério da Cultura, em Brasília। O ministro destacou o papel de Mamberti frente à Secretaria da Identidade e da Diversificação Cultural (SID/MinC)। "O Sérgio é um nome que dispensa apresentações, é uma pessoa da área e precisamos de um presidente com muita legitimidade para prosseguir a política de diálogo com artistas e produtores culturais e revitalização dessa instituição nesses dois últimos anos que faltam"। Desde 2004 como titular da SID/MinC, Mamberti falou que estava com o "friozinho na barriga" característico das grandes estréias। "É uma responsabilidade muita grande, pois é uma grande instituição e é preciso fortalecê-la, torná-la nacional", disse. Juca Ferreira adiantou que o colegiado de diretores será fortalecido no processo de gestão da Funarte. Nesse sentido, os diretores de Arte Visuais, de Música, de Artes Cênicas precisam ter uma importância que não vêm tendo na visão do ministro. "A Funarte não pode ter uma estrutura presidencialista, piramidal, mas sim colegiada, pois cada setor possui sua complexidade e os diretores precisam ganhar destaque na condução e criação dessas políticas", esclareceu. Um outro ponto destacado pelo ministro é a criação de um conselho nos moldes da Fundação Cultural Palmares e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Um conselho, segundo ele, composto por pessoas de conhecimento notório nas áreas de atuação da Funarte, que terá o papel de aconselhamento, fiscalização e aprovação dos projetos relacionados com a instituição. Sérgio Mamberti Paulista, nascido em 22 de setembro de 1939 na cidade de Santos, Sérgio Mamberti é reconhecido como defensor da cultura nacional, com destacada atuação nos meios artístico e político. Devido à sua trajetória de vida pública, como militante da área cultural, em 2003, o então ministro Gilberto Gil convidou-o para compor o quadro de dirigentes do Ministério da Cultura, como titular da Secretaria de Artes Cênicas. Em 2004, na reestruturação do MinC, foi criada a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, para promover o diálogo e a inclusão de setores historicamente excluídos das políticas públicas de cultura no país. As culturas populares, indígenas e ciganas, assim como a diversidade sexual, passaram a ser contempladas com ações, programas e projetos voltados especificamente para esses segmentos. A secretaria foi assumida por Mamberti. Consagrado ator, diretor e produtor, iniciou sua carreira artística atuando na peça Revellation, de Tristan Bernard, apresentada em 1956, na Aliança Francesa, em Santos. Em 1961, formou-se na Escola de Arte Dramática (EAD), em São Paulo, e no ano seguinte fez sua estréia profissional em Antígone América, de Carlos Henrique Escobar.
Fonte: Ministério da cultura
Texto: Marcos Agostinho
Fotos: Edson Ferreira

    

Ministério da Cultura incentiva produção de filmes de animação


Da Agência Brasil


 




    Brasília - O Ministério da Cultura lançou recentemente, no dia 10 de outubro o Programa Nacional de Desenvolvimento da Animação Brasileira, que tem o objetivo de estimular parcerias entre produtores independentes e emissoras de televisão, além da exportação de séries de animação brasileiras, pesquisas e a capacitação e formação de produtores do setor de cinema de animação.

A Secretaria do Audiovisual estima que o Brasil produza atualmente 50 horas por ano de animação, e que essa produção possa ser multiplicada, fazendo o país se tornar um pólo de animação. Segundo a secretaria, as medidas são inéditas para o setor.

Outra iniciativa do Ministério da Cultura é o AnimaTV, um concurso para estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de animação. Serão escolhidos, em duas etapas, 18 projetos de séries animadas destinadas ao público infanto-juvenil que serão veiculadas pelas redes públicas de TV.

O programa foi lançado no 3º Festival de Animação de Gramado (RS), com presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, do secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin, da presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel; do diretor de Programação da TV Brasil, Leopoldo Nunes; do diretor-presidente da TV Cultura, Paulo Markun; do representante da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Áureo Mafra; e da representante da Associação Brasileira do Cinema de Animação (ABCA), Marta Machado.

Já não era sem tempo. O Brasil já ocupa lugar de destaque na área de animação,só que a maioria das pessoas não sabe disto.Exportamos pessoal desta área há muito tempo animadores, roteiristas, criadores de materiais específicos e alias sempre com soluções mais criativas.Alias esta ai uma coisa que nesta terra não falta: criatividade , capacidade de criar novas soluções técnicas para os desafios da falta de recur$o$.

Ainda bem que resolveram reconhecer oficialmente esta grande fatia da criação no Brasil .

Agora é só o pessoal das lentes começar a se mexer.Mãos a obra!!

Estamos recebendo propostas para criação de curtas.


 














Nossa região é o reino dos paradoxos :

A América Latina de Galeano e de todos nós

Por Eduardo Galeano*


Nossa região é o reino dos paradoxos।Tomemos o caso do Brasil, por exemplo:Paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial;Paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e a poliomielite, nascido para a desgraça, foi o jogador que mais alegria ofereceu em toda a história do futebol;E, paradoxalmente, Oscar Niemeyer, que já completou cem anos de idade, é o mais novo dos arquitetos e o mais jovem dos brasileiros.

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Ou, por exemplo, a Bolívia: em 1978, cinco mulheres derrubaram uma ditadura militar। Paradoxalmente, toda a Bolívia zombou delas quando iniciaram sua greve de fome। Paradoxalmente, toda a Bolívia terminou jejuando com elas, até que a ditadura caiu।Eu conheci uma dessas cinco obstinadas, Domitila Barrios, no povoado mineiro de Llallagua. Em uma assembléia de operários das minas, todos homens, ela levantou e fez todos calarem a boca.

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Quero dizer só uma coisinha —disse—. Nosso inimigo principal não é o imperialismo, nem a burguesia, nem a burocracia. Nosso inimigo principal é o medo, e nós carregamos ele dentro.
E, anos depois, reencontrei Domitila em Estocolmo. Havia sido expulsa da Bolívia e ela tinha marchado para o exílio, com seus sete filhos. Domitila estava muito agradecida pela solidariedade dos suecos, e admirava a liberdade deles; mas tinha pena deles, tão sozinhos que estavam, bebendo sozinhos, comendo sozinhos, falando sozinhos. E dava-lhes conselhos:
— Não sejam bobos –dizia-। Fiquem juntos. Nós, lá na Bolívia, ficamos juntos. Mesmo que seja para brigar, ficamos juntos.

E como tinha razão.
Porque, digo eu: existem os dentes, se não ficarem juntos na boca? Existem os dedos, se não ficarem juntos na mão?

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Estarmos juntos: e não só para defender o preço dos nossos produtos, mas também, e sobretudo, para defender o valor dos nossos direitos. Bem juntos estão, mesmo que de vez em quando simulem brigas e disputas, os poucos países ricos que exercem a arrogância sobre todos os outros. Sua riqueza come pobreza, e sua arrogância come medo. Bem pouquinho tempo atrás, por exemplo, a Europa aprovou a lei que transforma os imigrantes em criminosos. Paradoxo de paradoxos: a Europa, que durante séculos invadiu o mundo, fecha a porta no nariz dos invadidos, quando eles querem retribuir a visita. E essa lei foi promulgada com uma assombrosa impunidade, que seria inexplicável se não estivéssemos acostumados a sermos comidos e a viver com medo.
Medo de viver, medo de dizer, medo de ser। Esta nossa região faz parte de uma América Latina organizada para o divórcio de suas partes, para o ódio mútuo e a mútua ignorância. Mas somente estando juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos amestrou para o medo e a resignação e a solidão e que cada dia nos ensina a não gostar de nós mesmos, a cuspir no espelho, a copiar em vez de criar.


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Ao longo da primeira metade do século dezenove, um venezuelano chamado Simón Rodríguez caminhou pelos caminhos da nossa América, no lombo de uma mula, desafiando os novos donos do poder:
— Vocês —clamava o sr. Simón-, vocês que tanto imitam os europeus, por que não imitam o mais importante, que é a originalidade?
Paradoxalmente, não era ouvido por ninguém este homem que tanto merecia ser ouvido. Paradoxalmente, chamavam-no louco, porque cometia a sensatez de acreditar que devemos pensar com nossa própria cabeça, porque cometia a sensatez de propor uma educação para todos e uma América de todos, e dizia que a quem não sabe, qualquer um engana e a quem não tem, qualquer um compra, e porque cometia a sensatez de duvidar da independência dos nossos países recém-nascidos:
— Não somos donos de nós mesmos —dizia. Somos independentes, mas não somos livres.
***Quinze anos depois da morte do louco Rodríguez, o Paraguai foi exterminado। O único país hispano-americano verdadeiramente livre foi, paradoxalmente, assassinado em nome da liberdade. O Paraguai não estava preso na jaula da dívida externa, porque não devia nem um centavo para ninguém, e não praticava a mentirosa liberdade de comércio, que nos impunha e nos impõe uma economia de importação e uma cultura de impostação.

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Paradoxalmente, depois de cinco anos de guerra feroz, entre tanta morte sobreviveu a origem. Segundo a mais antiga de suas tradições, os paraguaios nasceram da língua que os nomeou, e entre as ruínas fumegantes sobreviveu essa língua sagrada, a língua primeira, a língua guarani. E em guarani falam ainda hoje os paraguaios na hora da verdade, que é a hora do amor e do humor.
Em guarani, ñe´é significa palavra e também significa alma. Quem mente a palavra, trai a alma.
Se dou minha palavra, estou me dando।


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Um século depois da guerra do Paraguai, um presidente do Chile deu sua palavra, e deu-se
Os aviões cuspiam bombas sobre o palácio de governo, também metralhado pelas tropas de terra. Ele havia dito:
— Daqui eu não saio vivo.
Na história latino-americana, é uma frase freqüente. Foi pronunciada por vários presidentes que depois saíram vivos, para continuar pronunciando-a. Mas essa bala não mentiu. A bala de Salvador Allende não mentiu.
Paradoxalmente, uma das principais avenidas de Santiago do Chile chama-se, ainda, Onze de Setembro. E não se chama assim pelas vítimas das Torres Gêmeas de Nova York. Não. Chama-se assim em homenagem aos verdugos da democracia no Chile. Com todo o respeito por esse país que amo, atrevo-me a perguntar, por simples senso comum: não seria hora de mudar-lhe o nome? Não seria hora de chamá-la Avenida Salvador Allende, em homenagem à dignidade da democracia e à dignidade da palavra?
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E atravessando a cordilheira, pergunto-me: por que será que o Che Guevara, o argentino mais famoso de todos os tempos, o mais universal dos latino-americanos, tem o costume de continuar nascendo?
Paradoxalmente, quanto mais é manipulado, quanto mais é traído, mais nasce. Ele é o mais nascedor de todos.
E pergunto-me: Não será porque ele dizia o que pensava e fazia o que dizia? Não será por isso que ele continua sendo tão extraordinário, neste mundo onde as palavras e os fatos muito rara vez se encontram, e quando se encontram não se cumprimentam, porque não se reconhecem?


Os mapas da alma não têm fronteiras e eu sou patriota de várias pátrias. Mas quero culminar este viagenzinha pelas terras da região evocando um homem nascido, como eu, aqui pertinho.
Paradoxalmente, ele morreu há um século e meio mas continua sendo meu compatriota mais perigoso. É tão perigoso que a ditadura militar do Uruguai não conseguiu encontrar nem uma única frase sua que não fosse subversiva e teve que decorar com datas e nomes de batalhas o mausoléu que erigiu para ofender sua memória.
A ele, que se recusou a aceitar que nossa pátria grande se quebrasse em pedaços; a ele, que se recusou a aceitar que a independência da América fosse uma emboscada contra seus filhos mais pobres, a ele, que foi o verdadeiro primeiro cidadão ilustre da região, dedico este título, que recebo em seu nome.
E termino com palavras que escrevi para ele algum tempo atrás:
1820, Paso del Boquerón. Sem virar a cabeça, você afunda no exílio. Estou vendo, estou vendo você: desliza o Paraná com preguiça de lagarto e ao longe se afasta flamejando seu poncho esfarrapado, ao trote do cavalo, e se perde na mata. Você não diz adeus à sua terra. Ela não iria acreditar. Ou talvez você não sabe, ainda, que está indo para sempre.
Acinzenta-se a paisagem. Você está indo, vencido, e sua terra fica sem alento. Irão devolver-lhe a respiração os filhos que nasçam dela, os amantes que a ela chegarem? Aqueles que dessa terra brotem, aqueles que nela entrem, far-se-ão dignos de tristeza tão funda?
Sua terra। Nossa terra do sul. Você será muito necessário para esta terra, Dom José. Cada vez que os cobiçosos a firam e humilhem, cada vez que os tolos acreditem que está muda ou estéril, você fará falta. Porque você, Dom José Artigas, general dos simples, é a melhor palavra que ela já disse.


Tradução: Naila Freitas / Verso

*Discurso proferido em 3 de julho, quando os países do Mercosul o concederam o título de primeiro Cidadão Ilustre da região







Eduardo Galeano




"Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: È proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja, ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca"






O jornalista e escritor Eduardo Hugbes Galeano nasceu no inverno de 1940, em Montevidéu. Aos 14 anos já publicava desenhos que assinava como "Gius". Galeano fez de tudo: foi mensageiro, desenhista, peão em fábrica de inseticida, cobrador, taquígrafo, caixa de banco, diagramador, editor e peregrino pelos caminhos da América. Em Montevidéu dirigiu um semanário chamado Marcha e foi diretor do jornal Época. Preso pelo regime militar uruguaio, em 1973 começa seu exílio na Espanha. Transfere-se para a Argentina, onde funda a revista Crisis com Julio Cortázar, escritor e jornalista argentino. Em 1985, após 12 anos de exílio, Galeano retorna ao Uruguai. Para ele, as lembranças dos regimes militares ainda lhe causam muita dor. Quando ocorreu o golpe na Argentina, em março de 1976, vários de seus companheiros desapareceram e outros foram torturados. Nessa época, o escritor de Veias Abertas corria risco de vida, pois seu nome fazia parte de uma lista de procurados. Em uma entrevista, o escritor disse que a única maneira para a brutalidade das ditaduras não se repetir é manter a história viva.




A história é um profeta com olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi, anuncia o que será. Essa frase é do escritor uruguaio Eduardo Galeano e foi publicada na contracapa do livro As Veias Abertas da América Latina, que está completando 30 anos de seu lançamento em 1971. Em uma época que a maioria dos países latinos convivia com as mordaças das ditaduras militares, Galeano rompeu o silêncio e denunciou os instrumentos de espoliação, as injustiças à sombra do poder e o saque ao continente. Fatos, como ele mesmo diz, que insistem em se apresentar como obra do destino e do acaso. Aos 60 anos, idolatrado pelas esquerdas, Galeano tornou-se símbolo de resistência à exploração dos povos oprimidos do continente latino-americano. Sua voz não cala e suas palavras continuam encantando leitores de todos os continentes. Durante a abertura do Fórum Social Mundial, a atriz Celina Alcântara subiu ao palco de seios à mostra e, cercada por desempregados e trabalhadores sem-terra, recitou uma crônica escrita por Galeano em 1998. A interpretação do texto O Direito ao Delírio, que fala de um século 21 sem pobres, guerras e meninos de rua, emocionou a platéia.




A capacidade que Galeano tem de encantar e de transmitir seus sonhos e a teimosia em querer transformar o mundo levaram mais de 700 pessoas a disputar um lugar no Teatro da PUC, durante a sua palestra no FSM. Todos queriam ver o autor com quem compartilham planos, frustrações e esperanças. Em sua primeira frase o escritor já arrancou aplausos: "Se podemos organizar toda essa gente aqui, somos mesmo capazes de tudo", referindo-se ao princípio de tumulto causado pela superlotação do auditório. Em seguida, leu uma série de crônicas suas, onde retrata as dores e os projetos da humanidade e a barbárie dos tempos que instituíram "o medo global".




Questionado sobre as perspectivas para América Latina, passados 30 anos da publicação de Veias Abertas, Eduardo Galeano diz que a América Latina empobreceu, perdeu sua soberania e diminuiu sua autonomia, ao mesmo tempo em que o sistema neoliberal global foi se articulando e tornando-se unânime, alimentando-se das desigualdades, que são cada vez maiores. Por isso, a América Latina tem um imenso desafio e vamos ver como reage frente a ele. Poderá ser uma cópia do mundo desenvolvido e dos países que nos governam ou poderá seguir o seu próprio caminho, o caminho das suas próprias esperanças. Esse é o desafio que está diante de nós. E acredito que o melhor que temos no mundo é a quantidade de mundos existentes, as diferentes culturas e as mais variadas formas das coletividades se expressarem. Ou nos afirmamos com nossos próprios ideais ou vamos nos converter em uma sociedade que aceita a história oficial, nos tornando uma caricatura dos países ricos, que roubam nossa memória e as nossas riquezas. Diz que a situação da América Latina hoje piorou em relação aos 30 anos que se passaram, desde a publicação de Veias Abertas. Versão.




Com relação ao neoliberalismo e a globalização, Galeano afirma: "O sistema de poder vende a si mesmo como eterno, o amanhã é outro nome de hoje, e nos convida à aceitação como modo de vida. Estamos paralisados por este sistema de poder. É assim porque assim será e nós estamos nos acostumando a esta eternidade e aceitamos tudo como se fosse inevitável. Estamos cada vez mais prisioneiros do dinheiro. A globalização, para além do comércio internacional, nos impõe uma cultura universal que se apóia no medo. Esse é um mundo paralisado pelo medo que impede de nos mover, até de tomar medidas que eventualmente não sejam aceitas pelo FMI. Nunca o mundo havia sido tão desigual nas oportunidades que oferece e tão igual nos costumes que impõe. O símbolo perfeito é o McDonald's. Aconteceu a "mcdonaldização" do mundo. De certa forma, os pobres comem melhor que os ricos, que aceitam essa comida de plástico."




Com relação ao genocídio na América Latina, Galeano afirma: "Os países que mais armas vendem ao mundo são os mesmos países que têm a seu cargo a paz mundial. Felizmente para eles, a ameaça da paz está se debilitando e o mercado de guerra se recupera e oferece promissora perspectiva de rendas e de carnicerias ao sul do mundo. Este é um mundo criminalmente organizado. Mata-se muito à bala, vende-se cada vez mais armas. De acordo com números de organismos internacionais é possível afirmar que se o mundo dedicasse 12 dias, apenas 12 dias, do dinheiro que gasta em armamentos para ajudar as crianças pobres do planeta, estas crianças poderiam ter escola, assistência médica e comida. Portanto não se mata apenas à bala. Mata-se também de fome e de doenças curáveis. E não se matam só os corpos, mas também a alma. Há corpos a andar por aí sem vida. E matam o ar, a água e a terra. E matam o mundo."




[Fonte: República das Letras


Bibliografia: Los días siguientes (1963), China (1964), Guatemala (1967), Reportagens (1967), Los fantasmas del día del léon y otros relatos (1967), Su majestad el fútbol (1968), As veias abertas da América Latina (1971), Siete imágenes de Bolivia (1971),Violencía y enajenación (1971), Crónicas latinoamericanas (1972), Vagamundo (1973), La cancion de nosotros (1975), Conversaciones con Raimón (1977), Días y noches de amor y de guerra (1978), La piedra arde (1980), Voces de nuestro tiempo (1981), Memória do fogo (1982-1986), Aventuras de los jóvenes dioses (1984), Ventana sobre Sandino (1985), Contraseña (1985), El descubrimiento de América que todavía no fue y otros escritos (1986), El tigre azul y otros artículos (1988), Entrevistas y artículos (1962-1987), O Livro dos Abraços (1989), Nós Dizemos Não (1989), América Latina para entenderte mejor (1990), Palabras: antología personal (1990), An Uncertain Grace com Fred Ritchin, Ser como ellos y otros artículos (1992), Amares (1993), Las palabas andantes (1993), úselo y tírelo (1994),O futebol de sol a sombra (1995), Bocas del Tiempo (2004), O Teatro do Bem e do Mal (2002)].